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A Menina Cor-de-Rosa


Escrito por Lei da Atração às 03h28
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Ao encontrar o povo rosa, a Menina foi logo explicando seu plano: - Temos que gritar todos juntos, para que as nossas vozes unidas fiquem mais altas e possam ser ouvidas. Não adianta cada um tentar sozinho.
Com a ajuda da irmã mais velha, depois de conseguir acordar todos do estado de hipnose e cegueira, a Menina cor-de-rosa começou a organizar o coro. Um dos seus primos perguntou: - O que vamos gritar juntos?
A Menina cor-de-rosa olhou para a irmã mais velha, sorriu e respondeu que gritariam: Você é linda de qualquer maneira.
O povo rosa não gostou nada da resposta: - Porque não gritamos algo que diga que estamos aqui e precisamos da sua ajuda?
O que a Menina propôs não fazia sentido para eles e a maioria ficou indignada achando que ela estava de brincadeira.
A Menina pediu só um pouco de crédito e eles acabaram concordando, mas sem convicção de que funcionaria.
Depois de um pouco de ensaio, todos reunidos gritaram juntos: - Você é linda de qualquer maneira.
Nada de muito evidente aconteceu. Houve um ligeiro aumento do ritmo e altura do tum-tum. Então eles repetiram o coro em vozes um pouco mais altas. O ritmo e a altura do tum-tum aumentavam ainda mais. As vozes malévolas quase não podiam mais ser ouvidas de tão alto que era o som do tum-tum.
A Menina cor-de-rosa começou a sorrir. O povo rosa não entendeu o motivo e alguns até estavam bravos com ela. Ela e a irmã (que sabiam nos seus íntimos o que estava prestes a acontecer) pediram a todos um pouco de paciência e que fizessem mais uma vez o que a Menina dissesse. Contrariados, concordaram.
A Menina pediu então que todos apenas sentissem de verdade as palavras que antes foram gritadas em coro e que enviassem pelo pensamento a mesma mensagem para a dona do ouvido. Também que, simultaneamente fizessem um pouco de carinho em qualquer parte daquele ouvido. Por fim, que cada um saísse em silêncio e esperasse um pouco lá na gola do vestido.
Alguém lá longe gritou: - Como vou passar a mensagem de que ela é linda de qualquer jeito, se nem sei se isso é verdade?
A Menina cor-de-rosa não soube responder imediatamente, mas depois de um tempinho disse: -Ouça o som desse tum-tum. Tem coisa mais linda do que o som do coração humano? Deixe-o bater junto com o seu e terá certeza de que todo humano é lindo apenas por estar vivo.
A Menina não tinha certeza de que essa resposta foi convincente, mas a formulou com tanta sinceridade que um silêncio sereno chegou até ali e ninguém do povo rosa a questionou.
Para garantir, ela disse firmemente: - Nós temos que calar essas vozes de vez! Vocês não perceberam que elas se calaram?
Todos finalmente concordaram e seguiram a proposta da Menina.
O povo rosa reuniu-se então na gola da dona do vestido, que agora estava sentada próxima a uma janela totalmente aberta para o sol e o vento que ainda estava fraco, mas muitos do povo rosa já tinham partido nele em direção ao desconhecido, para bem longe dali.
Só a Menina e sua irmã mais velha sobraram na gola. Conseguiam ver a boneca polivalente jogada num canto. A Menina se lembrou do laço observatório lá na cabeça da boneca e pensava em como tinha ido parar ali, se as janelas daquela casa sempre estavam fechadas. Porém, parou de pensar sobre essa questão quando um vento mais forte levou sua irmã para além da janela, enquanto a Menina se segurava firme em um dos botões do enorme vestido.
Só deu tempo da irmã fazer uma pergunta, antes de sumir de vez: - Você não vem?
A Menina cor-de-rosa estava tão longe que sabia que a irmã não ouviria a sua resposta. Em silêncio, com um pouco de cera e lágrimas nos olhos, respondeu mesmo assim:
- Vou ficar mais um tempo por aqui. Somente uma janela foi aberta e ainda tenho muito que aprender junto à dona do coração.
Fim (dessa aventura).
Com carinho, para Sindy.
Escrito por Lei da Atração às 19h06
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Quanto mais a Menina seguia, mais escuro ficava. Então decidiu sair daquele ouvido para ter um pouco de luz, tanto nos olhos quando nos pensamentos.
Estava magoada com aqueles que deixou lá dentro. Ficou sentada atrás da outra orelha, na porquinha do brinco. Quase chorou, mas não tinha tempo a perder e logo decidiu entrar no outro ouvido. A irmã disse que lá não havia outras vozes que diziam coisas positivas sobre a dona do brinco e ela talvez encontrasse um ambiente parecido ao que deixou para trás há instantes. De qualquer forma, entrou lá só para conferir.
Bem cedo escutou mais um coro de tormentos junto ao forte tum-tum. Deu uma olhada geral para ver se encontrava mais alguém conhecido. Entrou um pouco mais no fundo. Acabou escorregando e caindo na tão temida cera. Não era muita. Porém, para seu tamanho, a cera já era bastante para envolvê-la inteirinha. Quase sufocou, mas uma mão veloz a tirou de lá. Era sua irmã mais velha que intuiu que a Menina estivesse ali e por sorte conseguiu salvá-la.
A Menina cor-de-rosa estava triste, desanimada, cansada e agora imunda. Queria sumir dali. Prestes a se entregar de vez, foi abraçada pela irmã que disse carinhosamente: - Você é linda até melada de cera!
A irmã sentou-se num ossinho do ouvido e fez um gesto para ela se sentar no seu colo. A Menina resistiu. Aproximou-se da irmã em câmera lenta, quase voltando para trás, até que se rendeu, se sentou ao lado dela e encostou sua cabeça melada em seu ombro. Ambas começaram a rir da figura disforme da Menina, que de cor-de-rosa nada mais tinha, mas que aos olhos da irmã ainda era linda.
Nenhuma das duas queria ficar ali mais tempo, pois naquele ouvido a vozes eram até piores que as do outro lado. A irmã sugeriu que voltassem para junto do povo rosa, mas a Menina disse que não voltaria lá de jeito algum.
Paralisada e de mãos dadas com a irmã, a Menina cor-de-rosa sabia que precisava agir. Lembrando da sensação maravilhosa que sentiu quando recebeu o carinho da irmã, sentiu falta de seus pais, de seus parentes e amigos. Mudou de idéia subitamente, pois não via problema algum em mudar de idéia e logo disse: -Vou voltar com você. Vamos encontrar nosso povo. Já sei o que vai nos salvar!
Continua...
Escrito por Lei da Atração às 16h55
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Essas vozes eram bem conhecidas da Menina e ela nem se assustou quando viu seu pai, mãe, outros irmãos, tios, primos e amigos por ali também. Entretanto, não podia mais se segurar de tanta curiosidade, que era tão forte quanto a alegria pelo reencontro de todos eles. Queria saber como tinham chegado ali, mas depois dos rápidos abraços e beijos as respostas não vinham. A Menina insistiu algumas vezes e como ninguém explicava nada, ficou furiosa. Como podiam tê-la deixado para trás e tão só? O que tinha feito de errado para ser abandonada? Será que merecia isso?
Não durou muito a sua cena, pois foi logo interrompida pela percepção que teve. Ali todos estavam preocupados em gritar pela ajuda da dona do ouvido, só conseguiam pensar e agir por conta própria, sem olhar para os outros. Estavam como hipnotizados só buscando sua própria liberdade. Cada um gritava solitariamente, em tempos distintos e as vozes internas que ofendiam a dona do ouvido eram muito mais altas, constantes, o que fazia os gritos do povo rosa serem inúteis.
A Menina cor-de-rosa questionava consigo mesma aquela atitude: Porque não saíram dali? Para que teimar, se a dona do ouvido não pode ouvi-los? De onde vinha tanta tolice?
Certa de que estava no lugar errado, com gente errada, em atitudes erradas, a Menina cor-de-rosa resolveu seguir viagem sozinha, mas ainda pelo interior do corpo da dona do ouvido. Não era daquelas que desistem fácil e ainda tentaria entrar em contato pelo menos mais uma vez.
Continua...
Escrito por Lei da Atração às 12h14
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Embora nunca tivesse entrado num ouvido, a Menina imaginava o que poderia encontrar lá dentro. Se tivesse sorte e a dona do ouvido fosse uma menina que cuidasse bem de sua higiene pessoal, não se afogaria num monte de cera. Mas tinha suas dúvidas, pois quem pintava as unhas daquele jeito...
Foi entrando meio desconfiada, quando ouviu um som saindo lá do fundo. Que coisa estranha, ela pensava, já que sabia que ouvido era para entrar som e não para sair. Como tudo naqueles dias era novidade, essa seria mais uma e a Menina cor-de-rosa resolveu seguir o tal som.
Seus olhos foram se acostumando com aquela caverna escura, até que conseguiram enxergar o suficiente para que ela seguisse um pouco mais adiante. A cada passo o som ficava mais alto, mas ainda era incompreensível, pois o tum-tum constante das batidas do coração da dona do ouvido atrapalhava. Até que ela percebeu que eram vozes, muitas vozes.
Numa das curvas do caminho a Menina esbarrou em alguém muito parecido com ela, nem teve tempo para questões e logo se abraçaram. Era uma de suas irmãs, a mais velha, que ela acreditava ter morrido, já que como todos seus parentes e amigos, um dia havia partido e ela nunca mais viu.
É claro que depois da emoção, a Menina cor-de-rosa quis saber como a irmã chegou ali e foi logo fazendo um monte de perguntas. A irmã nada respondeu e simplesmente a pegou pela mão, apontou para a direção de onde as vozes vinham e as duas caminharam juntas ao encontro delas.
“Você é feia, você é fraca, você é burra, você é gorda, você não sabe, você não consegue, você é baixa, você é vesga, você é doente”. Essas foram algumas das frases que a Menina conseguiu entender. Por um instante mínimo ela pensou que fossem dirigidas a ela e não gostou. Mas logo a irmã alertou: -A dona desse ouvido ouve esse coro o tempo todo!
Então a Menina admitiu: _ Que bobeira. É claro que não podem ser para mim.Eu não sou nada disso!
A Menina cor-de-rosa não entendeu como aquelas vozes estavam ali, mas o que a preocupava mesmo era a triste situação da dona do ouvido. Que dor ficar o tempo todo ouvindo coisas tão terríveis sobre si mesma. Perguntou então para sua irmã:_Será que no outro ouvido há vozes dizendo coisas boas sobre ela, para compensar?
A irmã abanou a cabeça em negativa. As duas se olharam em silêncio com tom misericordioso e prosseguiram, até que outras vozes foram ouvidas.
Continua...
Escrito por Lei da Atração às 15h26
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As unhas eram mal pintadas e o esmalte vermelho borrava as cutículas daqueles dedões, fossem de quem fossem, reparou a Menina cor-de-rosa. Aquelas grandes mãos envolveram o corpo da boneca e agora ela sentia que tudo começou a se mover para cima. Depois, a boneca era embalada para lá e para cá, enquanto uma voz diferente, mais infantil, dizia de forma debochada as mesmas palavras que ela tinha ouvido há alguns instantes: _Vem com a mamãe, lindinha!
Ela não entendeu o motivo do deboche e nem se preocupou muito como isso. Ficou imóvel a sentir o movimento do embalo e acabou dormindo. Quando acordou, num estalo percebeu que nem precisava se esconder já que era tão pequena que ninguém poderia vê-la. Sentia-se enfim poderosa com sua invisibilidade e resolveu olhar tudo de forma bem mais clara, saindo de vez da roupa da boneca e voltando para o centro do laço, um lugar mais que perfeito por ser também cor-de-rosa (mais por prazer pela identidade com a cor e estratégia de observação num lugar no topo, do que para efeito de mimetismo, pois sabia ser desnecessário se camuflar, já que era microscópica).
Do seu róseo observatório, a Menina percebeu que a boneca estava agora em posição totalmente horizontal e com o rosto virado para o chão. Subitamente, parte do vestido xadrez da boneca cobriu sua cabeça e seu laço deixando tudo escuro. A Menina cor-de-rosa não entendeu o que tinha acontecido até que ouviu um diálogo.
O vozeirão conhecido disse: _ As pilhas estão novas, não precisa trocar!
A voz mais infantil respondeu:_Claro que precisa mãe. As pilhas estão acabando porque ontem eu e todas as minhas queridas priminhas brincamos com ela o dia inteiro!Ela está com uma voz fraca e rouca e quase não para mais em pé! Uma droga!
Com as pilhas novinhas a boneca podia andar, tocar música, dançar, cantar e até falar. A Menina cor-de-rosa começou a pensar que deveria sair daquele lugar, pois não agüentava mais tanto movimento, giros, tombos, canções e falação o dia inteiro. Ainda se fosse algo útil. Preferia vagar perdida no vento, a ficar por ali.
Mas naquela casa não ventava nunca e ela reparou nisso quando viu que as janelas estavam sempre fechadas. Ficou pensando numa forma de fugir. Não suportava mais ficar parada naquele laço enquanto tudo se mexia, mais uma vez sem seu controle. Percebeu o quanto fazia parte da boneca e que já era uma boneca!
Não, gritou bem alto. Quero ir embora, gritava mais alto ainda. Quando percebeu que ninguém a ouvia ficou triste por ser tão pequena e por isso, além de invisível, o que via como vantagem, ser também inaudível.
Mas, só por um segundo durou essa tristeza. Logo pensou que se estivesse bem perto do ouvido da dona da boneca poderia pedir ajuda a ela. Quem sabe fosse soprada para longe ou a menina abrisse a janela para que o vento mesmo a levasse?
Numa das inúmeras vezes que a boneca foi embalada e sacudida por sua dona, a Menina cor-de-rosa conseguiu pular de um vestido a outro e escalou o corpo da menina em direção a um de seus ouvidos. Bem próxima de um dos brincos, a Menina cor-de-rosa já começou a gritar, mas não recebeu nenhuma resposta ou reação que pudesse demonstrar que foi ouvida. Decidiu então entrar naquela orelhona, pois talvez pudesse pedir ajuda falando bem alto lá dentro. Porém, dentro dessa orelhona com um buracão, bem diferente da orelha fechada daquela boneca irritante, muitas coisas a surpreenderiam.
Continua...
Escrito por Lei da Atração às 06h33
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A passos lentos, mas decididos, ela subiu sobre o centro do laço e ali ficou parada a observar tudo à sua volta. Um toque de curiosidade e medo movia seus olhos bem vagarosamente pela cabeça gigante, na busca de detalhes que a fizessem compreender aquele ambiente.
A gigante não se movia e estava um pouco inclinada com a nuca encostada numa parede. A Menina cor-de-rosa não conseguia ver o seu rosto do ângulo que estava. Só via, lá depois da franja, as pontinhas de seus cílios e um pedacinho do seu nariz, que era pequenino e delicado para uma menina tão grande.
A menina gigante continuava totalmente imóvel e não emitia nem o som de respiração. A Menina cor-de-rosa começou a se perguntar: _Será que ela está morta?
Essa dúvida a deixou desconcertada demais, já que uma das coisas que mais lhe incomodava era a morte. Embora a morte fosse mais uma das certezas que a Menina colecionava, não simpatizava nada com ela. Já tinha perdido todos os seus parentes, amigos e não lhe agradava estar na cabeça de uma morta, ainda mais, de uma morta imensa!
Desceu do laço, escorregou pelos cabelos até a altura de uma das orelhas e ficou ainda mais confusa. A orelha da gigante não tinha furo e era só um contorno com tudo que uma orelha tem, mas fechada. Se não está morta, pelo menos é surda a coitada, pensava consigo. Até que balançou sua própria cabeça e disse a si mesma:_ Burra, burra! Estou em uma boneca gigante!
Mais tranqüila por saber onde estava, a Menina cor-de-rosa resolveu dar um passeio pela boneca, sempre segurando bem firme em qualquer coisa, para não ser levada novamente pelo vento que podia chegar sabe lá a hora. Desceu um pouco mais e lá nas costas encontrou o compartimento das pilhas, entrou nele por uma fresta, saindo logo em seguida, pois também não gostava de lugares muito escuros. Mas, logo teve que voltar lá para dentro, quando ouviu o som ensurdecedor de uma voz feminina que retumbava:_Vem com a mamãe, lindinha!
A Menina cor-de-rosa tapou bem os seus ouvidos e ficou em meio às pilhas contra a sua vontade, até se acostumar com aquele vozeirão que vinha lá de fora. Depois de um tempo, saiu devagarzinho e por baixo da roupa da boneca foi subindo até uma abertura perto do seu queixo. Dali conseguia ver mais uma coisa nunca vista por ela antes: as mãos imensas, com unhas vermelhas de alguém ainda mais gigante. Seria a dona da boneca?
Continua...
Escrito por Lei da Atração às 05h12
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A Menina cor-de-rosa era dona de si e de seu mundo. Sabia muito bem onde as coisas começavam, para onde iam, como acabavam. Segurança era seu nome, endereço e telefone. Mas também sabia da sua fragilidade, pois com tantas certezas, a sua vida era tão leve que o menor vento a levava para longe e, assim, seus sapatos eram feitos de pedra, cor-de-rosa, é claro.
Entre vagar pelo vento sem rumo e as correntes de pedra, ela refletiu: Se posso voar, para que esses sapatos de quartzo? Vou me livrar deles, pois posso dominar até o vento!
E a Menina cor-de-rosa se foi. Voava errante e feliz quando numa pirueta e olhar para o chão, viu que estava voando alto demais e quis descer para descansar um pouco. Mas seu corpo teimava em flutuar, a seguir sem seu controle e por um instante a Menina se irritou, esperneou e quase chorou, mesmo não sendo dessas meninas choronas que contribuem para as cheias dos rios e mares lá embaixo.
Deixou-se levar enquanto pensava numa solução à altura de sua inteligência: Se quero descer, tenho que me grudar a alguma coisa pesada que esteja indo lá pra baixo. É só mergulhar numa gota de chuva quando ela chegar, me enfiar nas penas de algum passarinho que cedo ou tarde descerá, sei lá... Vou relaxar enquanto isso.
Ela já estava há dias no ar, tão longe que as coisas da Terra já estavam do seu tamanho ou até menores. Isso não era problema. O problema real era não poder subir e descer ao seu desejo. Ver as coisas lá do alto dava-lhe a certeza de ser alguém especial e no fundo ela sentia que seu lugar era mesmo ali.
Mas certo dia, uma visão a fez decidir pousar de qualquer modo. Não podia esperar pela chuva ou passarinho e, na verdade, nenhum deles chegaria tão alto. Essa visão a deixou tão curiosa e ao mesmo tempo assustada, que ela tinha que descer de qualquer maneira! Bem lá embaixo, ela viu algo muito diferente do que já conhecia e não dava para entender o que era. Parecia um laço enorme ou uma borboleta gigante que se movia sem bater as asas, grudada numa montanha esquisita coberta de fios dourados.
Quando o vento sossegou por um momento, ela acabou descendo bastante, mas nunca o suficiente para tocar o chão. Estava perto mesmo era daquele imenso laço/borboleta que a intrigara tanto, ainda mais agora que se deu conta que era também cor-de-rosa.
Não entendia nada. Num virar súbito da montanha, a Menina cor-de-rosa se viu enroscada naqueles fios dourados enormes e, mesmo agora, com certeza de que eles eram fios de cabelo, não conseguia juntar nada: Montanha, laço, borboleta, cabelos dourados?
Ficou em silêncio e gelada. Escalou cambaleante até o topo da montanha e conseguiu chegar até o laço/borboleta, que agora reconheceu como um grande laço cor-de-rosa na cabeça de uma menina loura gigante!
Continua...
Escrito por Lei da Atração às 03h24
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BEM-VINDAS(0S)

Esse é um blog para publicação das aventuras de uma Menina Cor-de-Rosa.
Há muitas meninas com essa cor.
Essa foi inspirada em Sindy.
Sejam bem-vindas(os)!
Escrito por Lei da Atração às 01h50
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